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Morro lentamente.


Morro lentamente a cada instante em que me recuso a viver sob regras redigidas e regidas por mim. 
A cada momento em que ouvir, dançar, sonhar, ler, escrever se tornam obrigações e não o que necessariamente desejaria fazer.
Morro lentamente por que me transformei em um escravo de tudo, do mundo, do viver. 
Repetindo diariamente todas as funções, emoções e gestos.
Morro lentamente por ter medo de mudar, de arriscar e/ou de apenas ser eu mesmo.
E continuo a morrer, reclamando da vida, de tudo, de todos, da sorte.
Morro lentamente, vagarosamente, incessantemente, desesperadamente, insuficientemente, mas morro e sigo a morrer. 
E nessa necessidade disfarçada de morrer e/ou mesmo de matar o que sou para nascer como quero ser, almejo ser, desejo ser, vou esquecendo que nem a morte é tão simples quanto o simples fato de não respirar.
E concluo que nem morrer lentamente me é permitido e assim decido viver, já que o morrer também não me cabe.

Inspirado no texto de Pablo Neruda “Morre lentamente”.

Por Dhalila Nogueira.

A voz.


Vai! Vai ao mundo.
Lapidar-se com as armas dos homens cansados de guerra.
E viva.
Vai! Se decepciona.
Chora.
Esperneia.
Conheça o desconhecido.
E não esmoreça.
Vai! Vai ser forte.
Por que os fracos não são dotados de sorte e não sabem viver.
Vai! Vai ser e crer no que achar melhor fazer.
Vai!
Mas, vai com calma.
Vai viver.

Por Dhalila Nogueira.

Re- começo.


 Começo a re-começar.
E meu começo se torna recomeço
toda vez que paro e penso em uma nova fórmula de começar.
Meu re-começo parece uma retórica, 
uma volta ao passado.
E continuo a caminhar, 
por caminhos desconhecidos 
ou até esquecidos numa parte da vida que não me permite re-começar.
E recomeço a começar.
Como se fosse parte da rotina, como se fosse prazeroso e recompensador.
Talvez seja!
Mas talvez seja lá o que for,
recomeço e vivo a começar a re-começar.

Por Dhalila Nogueira.

Ego.


Sou uma mescla de calmaria e tormenta.
De tudo que ajude a me transformar em um ser esquisito.
Esquisito e esquizofrênico.
Comparo-me a um cretino que se refugia no lado hermético
e me condiciono ao papel de ser cruel,
incapaz de amar alguém além de mim.
Para os que teimam em cruzar o meu caminho e insistem em marcar o meu peito,
os condiciono a mera condição de projetos inacabados,
como tantos outros existentes aqui.
Fria.
Louca.
Cruel.
Covarde.
Não me incomodo com definições.
Talvez por não fazer planos e nem seguir scripts, possuo um modo incomum de viver.
Mas, a verdade é que já não sei amar ninguém além de mim.
Só que no fim, chego até a admitir que tudo não passa de poética, deste dom que dizem habitar em meu eu,
um eu que nem eu sei definir.

Por Dhalila Nogueira.

Palavras.


A necessidade de expressar o que está encarcerado em mim,
me domina.
 O desejo de ver e sentir o que no âmago berra, grita,  me alucina.
Mas, na hora de maior necessidade as palavras se transformam em entrave e não conseguem demonstrar meu sentir.
Não as encontro.
As remeto, então, ao desconhecido, 
ao improvável, 
ao acaso.
Não há mais palavras vertidas em pensamentos.
Agora há, fragmentos distintos de poesias sem nexo nascidas de mim.


Por: Dhalila Nogueira.

Só.

                                            Gela.
       estremece.
         esvaidece. 
Frio. 
          respiro.
         reviro.
Coberta.
           procuro.
            desisto.

                 Nada de você!


Por Dhalila Nogueira.

Desabafo.


Estremeço por dentro.
Revolto-me.
Enojo-me; de mim mesma.
Atitudes que desprezo me perseguem.
Sangro por dentro.
Escondo-me.
Camuflo-me; de tudo que a mim pertence.
Confissões que nego; partes de mim.
Alegro por dentro.
Momentaneamente.
Vago a pensar, desejar, fingir, acreditar
que tudo nem é saudade.
Canço.
Descanço.
Me escondo em algum canto.
Um lugar só meu.
De onde observo atenta/desatenta seus passos, passos que não são meus.
Me perco.
Levanto do canto.
Procuro, mas não encontro.
Grito.
Berro.
Inconsciente, constantemente, silenciosamente.
Respiro.
Desvio olhares.
Seus olhos nem sempre foram meus!
O ódio se espalha.
Se espalha entre unhas cravadas em uma COMPACTOR 07
e se exprime em papéis de remendo, de desenhos.
Canço.
Descanço.
O ódio passa lentamente.
Então, me remeto ao presente...
Saudades dos braços seus.


Por Dhalila Nogueira.

Dois, só um.


Não mais amor, paixão.
Não mais descaso, atenção.
Como se as águas não quisessem mais serem unidas. 
Como se os sorrisos e olhares não fizessem mais rimas.  
Não mais lá, agora cá.
Não mais...
Apenas mais do que era oferecido a mim.

Por Dhalila Nogueira.

Me faz.

    
Se faz dono do meu eu.
Me olha. Devora.
Inspira. Respira.
Se controla.
Me beija. Seduz.
Me ensina os passos dessa dança.
E faz de mim o que lhe condiz.
Me deixa ser atriz.
Fingir que você não me possui.

Por Dhalila Nogueira.

Ser ia viver.


Sentada no chão do quarto 
me encontro como mais um objeto imóvel sem utilidade.
Perdida em pensamentos,
não que estes estejam a me transportar a algum lugar em especial,
estou apenas a pensar,
a ver a vida passar lentamente em frente ao meus olhos,
apática,
perdida,
desconcertada.
Uma vida sem vida.

Ouço vozes...

Desculpem-me.
É só a vida sendo vivida lá fora.
Vida esta que as paredes do quarto não permitem que eu a veja,
que eu a sinta,
que eu a viva.
Mas, o desejo de vê-la, de sentí-la, de vivê-la na sua face cheia de graça me fascina.
O desejo de ver,
explorar,
descobrir,
esta vida que um dia também pode ser minha.


Por Dhalila Nogueira.

Lágrimas.


Nunca as senti tão próximas,
tão necessárias, tão dominantes do meu eu,
tão partes de mim.
Nunca as havia esperado a fim de desfazerem o meu
desespero, o meu ódio, minha agonia.
Nunca as desejei tanto quanto as desejo agora.
O refúgio.
O desabafo.

[...]

Lágrimas.


Por Dhalila Nogueira.

Jeito.



O jeito como você me olha.
O jeito como sua língua me provoca.
O jeito como sua voz me seduz.
Esses jeitos que só você possui.

Por Dhalila Nogueira.

Águas.


E ao amanhacer as águas do Rio Paraguaçú estavam gélidas, 
obscuras, 
sem vida, 
mórbidas.
Nenhum movimento, nenhum ser a apreciar...
O que se via apenas era a neblina a tocar as águas 
que se decidiram por se separar;
a fim de expressar o seu desgosto,
a fim de mostrar algo que não mais pertence a este mundo
e sim a outro.

Por Dhalila Nogueira.

O antes sem você.

 

Antes meus pensamentos eram viajantes do tempo;
estavam sempre a procura do desconhecido;
do que descobrir.
Antes meus pensamentos nem me levavam a lugar algum;
se faziam esquecidos, insignificantes;
raramente eram inspiradores, confortantes.
Mas, isso era antes.
Antes de você aparecer e me sintonizar;
de elevar meus pensamentos ao seu eu.
Antes de você me mostrar que seus pensamentos também eram meus.


Por Dhalila Nogueira.

Pensamentos meus.


Busquei as melhores palavras para explicar sentimentos.
Viajei no tempo, por tempos remotos.
Corri entre labirintos a fim de encontrar a saìda.  
Fechei os olhos para relembrar do que passou.
Contei històrias de um passado pròximo, de um futuro distante.
Ouvi pela milésima vez aquela mùsica que me transporta a um momento ùnico, intocàvel, impermeàvel, que se perderam numa confusão de pensamentos meus.
Esperei a chuva de uma noite de verão e me banhei sob a luz do luar.
A luz da lua que antes era companheira, conselheira, minha.
Escrevi cartas com o olhar, no papel, na areia, no tempo...
Fiz ressurgir momentos para que as lágrimas me libertassem, me acompanhassem, surgissem.
Olhei fixamente para o nada com o intuito de resgatar algo perdido, que nem sei ao certo o quê.
Me neguei o porquê de ser.
Mas, me permitir viver.
Pintei telas de conversas nas paredes de sonhos e desejos ímpetos, que me trazem a felicidade.
Fechei os olhos a fim de pensar.
Me perdi em meio a tantos pensamentos,
a tanto anseios.
E tudo se fez breu...
Numa confusão de pensamentos meus.


Por: Dhalila Nogueira.

Nostalgia.

 
A saudade se comporta como uma doença que lentamente torna infértil o coração, saudade esta que me machuca, que me entristece, que me consome, que me iguala aos seres desesperados.
Sinto saudades...
Saudades de outrora quando o futuro parecia me pertencer;
quando o desejado era alcançado;
quando a noite se fazia acolhedora e a lua dialogava comigo.
Sinto saudades; da infância, da minha infância onde ter nada era ter tudo;
onde viver era correr contra o vento sem medo de padecer.
Sinto saudades; daqueles amigos que partiram sem se despedir, que se foram sem eu permitir;
das festas mais desejadas e aguardadas;
do amor da família, agora tão longe de mim.
Sinto saudades; de um amor que eu nunca senti;
da poesia que eu escrevi em meio a tantas inspirações;
daquele abraço de alegria;
daquela lágrima que teima em não mais cair.
Sinto saudades; do que antes eu era e que agora se perdeu, se esvaiu e acabou por separar o meu e'u.
Sinto saudades...


Por Dhalila Nogueira.

Devaneiolhares.


Era pra ser apenas uma troca de olhares;
Mas, por não ter esclarecido a minha não intensão para com o olhar;
A sicronia antes estabelecida
Se esvaiu junto ao sorriso que acompanhava o entreolhares.
Não que lágrimas surgiram;
Não que o ódio nasceu.
Só foi a decepção da não compreenção do que se é olhar.

Por Dhalila Nogueira.

Depois.


Depois de tanto buscar explicações
Depois de tanto sorrir
Depois de tanto sentir
Depois de tanto ouvir e observar
Depois de tanto falar
Depois de tanto ler e interpretar
Depois de tanto tanto
Me encontro, aqui, só ...
A olhar pela janela do meu quarto
A chuva acariciando os telhados e varrendo o chão.

Por Dhalila Nogueira.                                                                       

Pretérito.


A vista que antes me encantava e me surpreendia,
agora se faz monotôna e gélida.
As pessoa que antes me encatava e me surpreendia,
agora se mostram previsíveis e frias.
O desejo de permanecer que antes me pertencia,
se foi em meio as águas do Rio Paraguaçú.
E agora o meu anseio mais profundo é o de voltar para casa.


Por: Dhalila Nogueira.

Lar doce lar.


 É uma sensação estranha que me invade,
uma sensação entranha e confortante.
Tudo parece ter permanecido, por todo esse tempo,
no mesmo lugar em que eu havia deixado.
As cores das paredes são as mesmas;
Os móveis estão no mesmo lugar;
O cheiro acolhedor está intacto.
É uma sensação estranha que me invade,
uma sensação entranha e recompensadora.
Recordações de tempos remotos se fazem presentes;
Lembranças de um passado feliz, que teima em não querer mais me pertencer.
Me sento na cadeira de sempre e espero somente pelo reencontro,
pelo abraço daquela que mais me faz falta.
Não me canso de olhar emocionada e agredecida por ter e ver tudo,
tudo o que eu mais desejei, durante este tempo fora, em rever.
As horas teimam em não passar.
Mas, a sensação entranha que me invadia, a pouco, desaparece lentamente.
E eu, em fim, compreendo que nada relatado acima fora utópico.
Eu realmente estou de volta a minha casa.
Eu realmente estou de volta ao meu lar doce lar.

Por: Dhalila Nogueira.

A poética.


A cidade é poética.
As ruas são poéticas.
Os mínimos sons, tão sucintos
que chegam a serem imperceptíveis,
são poéticos.
Porque eu estou me descobrindo poeta.

Por Dhalila Nogueira.

A.


Hoje, completam-se 50 anos em que um ser de extrema luminosidade, magnitude e uniformidade foi concebido. Um ser dotado de qualidades, repleto de desejos, cheio de iniciativas, independente, audacioso, petulante, impulsivo. Enfim, um ser, ser humano, humano no seu significado mais real.
Desejar que esta data se repita por muitos e muitos anos é pouco, ela tem o dever para com o mundo de se duplicar, triplicar, quadriplicar, ou melhor se eternizar.
Dizer que eu te amo é pouco, se torna muito pouco, insignificante frente a imensidão, veracidade e intensidade do sentimento que tenho em relação a ti.
Eu te amo incondicionalmente, indescretivelmente, ou melhor, eu te venero, eu te enauteço como o melhor ser, humano, do mundo, do meu mundo.
Feliz Aniversário mãe!

19.04.2010

Por: Dhalila Nogueira.