sábado, 19 de junho de 2010

Me faz.

    
Se faz dono do meu eu.
Me olha. Devora.
Inspira. Respira.
Se controla.
Me beija. Seduz.
Me ensina os passos dessa dança.
E faz de mim o que lhe condiz.
Me deixa ser atriz.
Fingir que você não me possui.

Por Dhalila Nogueira.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ser ia viver.


Sentada no chão do quarto 
me encontro como mais um objeto imóvel sem utilidade.
Perdida em pensamentos,
não que estes estejam a me transportar a algum lugar em especial,
estou apenas a pensar,
a ver a vida passar lentamente em frente ao meus olhos,
apática,
perdida,
desconcertada.
Uma vida sem vida.

Ouço vozes...

Desculpem-me.
É só a vida sendo vivida lá fora.
Vida esta que as paredes do quarto não permitem que eu a veja,
que eu a sinta,
que eu a viva.
Mas, o desejo de vê-la, de sentí-la, de vivê-la na sua face cheia de graça me fascina.
O desejo de ver,
explorar,
descobrir,
esta vida que um dia também pode ser minha.


Por Dhalila Nogueira.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Lágrimas.


Nunca as senti tão próximas,
tão necessárias, tão dominantes do meu eu,
tão partes de mim.
Nunca as havia esperado a fim de desfazerem o meu
desespero, o meu ódio, minha agonia.
Nunca as desejei tanto quanto as desejo agora.
O refúgio.
O desabafo.

[...]

Lágrimas.


Por Dhalila Nogueira.

sábado, 12 de junho de 2010

Jeito.



O jeito como você me olha.
O jeito como sua língua me provoca.
O jeito como sua voz me seduz.
Esses jeitos que só você possui.

Por Dhalila Nogueira.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Águas.


E ao amanhacer as águas do Rio Paraguaçú estavam gélidas, 
obscuras, 
sem vida, 
mórbidas.
Nenhum movimento, nenhum ser a apreciar...
O que se via apenas era a neblina a tocar as águas 
que se decidiram por se separar;
a fim de expressar o seu desgosto,
a fim de mostrar algo que não mais pertence a este mundo
e sim a outro.

Por Dhalila Nogueira.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O antes sem você.

 

Antes meus pensamentos eram viajantes do tempo;
estavam sempre a procura do desconhecido;
do que descobrir.
Antes meus pensamentos nem me levavam a lugar algum;
se faziam esquecidos, insignificantes;
raramente eram inspiradores, confortantes.
Mas, isso era antes.
Antes de você aparecer e me sintonizar;
de elevar meus pensamentos ao seu eu.
Antes de você me mostrar que seus pensamentos também eram meus.


Por Dhalila Nogueira.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pensamentos meus.


Busquei as melhores palavras para explicar sentimentos.
Viajei no tempo, por tempos remotos.
Corri entre labirintos a fim de encontrar a saìda.  
Fechei os olhos para relembrar do que passou.
Contei històrias de um passado pròximo, de um futuro distante.
Ouvi pela milésima vez aquela mùsica que me transporta a um momento ùnico, intocàvel, impermeàvel, que se perderam numa confusão de pensamentos meus.
Esperei a chuva de uma noite de verão e me banhei sob a luz do luar.
A luz da lua que antes era companheira, conselheira, minha.
Escrevi cartas com o olhar, no papel, na areia, no tempo...
Fiz ressurgir momentos para que as lágrimas me libertassem, me acompanhassem, surgissem.
Olhei fixamente para o nada com o intuito de resgatar algo perdido, que nem sei ao certo o quê.
Me neguei o porquê de ser.
Mas, me permitir viver.
Pintei telas de conversas nas paredes de sonhos e desejos ímpetos, que me trazem a felicidade.
Fechei os olhos a fim de pensar.
Me perdi em meio a tantos pensamentos,
a tanto anseios.
E tudo se fez breu...
Numa confusão de pensamentos meus.


Por: Dhalila Nogueira.