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Me faz.

    
Se faz dono do meu eu.
Me olha. Devora.
Inspira. Respira.
Se controla.
Me beija. Seduz.
Me ensina os passos dessa dança.
E faz de mim o que lhe condiz.
Me deixa ser atriz.
Fingir que você não me possui.

Por Dhalila Nogueira.

Ser ia viver.


Sentada no chão do quarto 
me encontro como mais um objeto imóvel sem utilidade.
Perdida em pensamentos,
não que estes estejam a me transportar a algum lugar em especial,
estou apenas a pensar,
a ver a vida passar lentamente em frente ao meus olhos,
apática,
perdida,
desconcertada.
Uma vida sem vida.

Ouço vozes...

Desculpem-me.
É só a vida sendo vivida lá fora.
Vida esta que as paredes do quarto não permitem que eu a veja,
que eu a sinta,
que eu a viva.
Mas, o desejo de vê-la, de sentí-la, de vivê-la na sua face cheia de graça me fascina.
O desejo de ver,
explorar,
descobrir,
esta vida que um dia também pode ser minha.


Por Dhalila Nogueira.

Lágrimas.


Nunca as senti tão próximas,
tão necessárias, tão dominantes do meu eu,
tão partes de mim.
Nunca as havia esperado a fim de desfazerem o meu
desespero, o meu ódio, minha agonia.
Nunca as desejei tanto quanto as desejo agora.
O refúgio.
O desabafo.

[...]

Lágrimas.


Por Dhalila Nogueira.

Jeito.



O jeito como você me olha.
O jeito como sua língua me provoca.
O jeito como sua voz me seduz.
Esses jeitos que só você possui.

Por Dhalila Nogueira.

Águas.


E ao amanhacer as águas do Rio Paraguaçú estavam gélidas, 
obscuras, 
sem vida, 
mórbidas.
Nenhum movimento, nenhum ser a apreciar...
O que se via apenas era a neblina a tocar as águas 
que se decidiram por se separar;
a fim de expressar o seu desgosto,
a fim de mostrar algo que não mais pertence a este mundo
e sim a outro.

Por Dhalila Nogueira.

O antes sem você.

 

Antes meus pensamentos eram viajantes do tempo;
estavam sempre a procura do desconhecido;
do que descobrir.
Antes meus pensamentos nem me levavam a lugar algum;
se faziam esquecidos, insignificantes;
raramente eram inspiradores, confortantes.
Mas, isso era antes.
Antes de você aparecer e me sintonizar;
de elevar meus pensamentos ao seu eu.
Antes de você me mostrar que seus pensamentos também eram meus.


Por Dhalila Nogueira.

Pensamentos meus.


Busquei as melhores palavras para explicar sentimentos.
Viajei no tempo, por tempos remotos.
Corri entre labirintos a fim de encontrar a saìda.  
Fechei os olhos para relembrar do que passou.
Contei històrias de um passado pròximo, de um futuro distante.
Ouvi pela milésima vez aquela mùsica que me transporta a um momento ùnico, intocàvel, impermeàvel, que se perderam numa confusão de pensamentos meus.
Esperei a chuva de uma noite de verão e me banhei sob a luz do luar.
A luz da lua que antes era companheira, conselheira, minha.
Escrevi cartas com o olhar, no papel, na areia, no tempo...
Fiz ressurgir momentos para que as lágrimas me libertassem, me acompanhassem, surgissem.
Olhei fixamente para o nada com o intuito de resgatar algo perdido, que nem sei ao certo o quê.
Me neguei o porquê de ser.
Mas, me permitir viver.
Pintei telas de conversas nas paredes de sonhos e desejos ímpetos, que me trazem a felicidade.
Fechei os olhos a fim de pensar.
Me perdi em meio a tantos pensamentos,
a tanto anseios.
E tudo se fez breu...
Numa confusão de pensamentos meus.


Por: Dhalila Nogueira.