quinta-feira, 14 de abril de 2011

Manhã de "quinta".


Resolvi por mim mesma, por capricho, por vontade, por medo, por ansiedade de ter, fazer.
Fazer por minhas próprias mãos o que vinha a mente e teimava em agoniar o peito.
A primeira batida veio disfarçada em laços amiguísticos e se tornou forte, incondicionalmente forte e essencial, veio e perdurou por anos.
Cai.
Fui levada ao chão com o mesmo disfarce do começo.
Bati forte e lá fiquei, jogada, estendida, pregando pelo passado, por algo diferente, por atenção.
E nada.
Nada como se nada em meio à imensidão das águas.
Nada, e nadando após meses me reergui, ou melhor, me reergueram.
Os laços de amizade foram mais fortes e continuaram a existir e ainda existem.
Mas, o que me reergueu fez adorar o outro e não a mim.
Em mais uma do destino, cai e me refugiei no desconhecido que no fim me decepcionou me levou ao chão e me condicionou a dureza do eu.
Resolvi viver.
E me fez tão bem, vivia tão bem e me sentia viva, como nunca, me amava e ponto.
Eu era o nós.
Mas, como em uma peça que se prega quando se quer rir, cai.
Cai em mais uma armadilha do destino.
Cai de encantamento, de paixão e não me lembrei de mim.
Entreguei o meu eu como nunca, e cai.
Estilhaçada, como uma fruta que cai do alto e esbagaça no chão. Cai.
Mas, ainda existia o desejo e contra a vontade permitir que outro me levantasse.
Mas, não fiz por mim.
Encarreguei à função para este que me trouxe esperança, paz e tormenta.
Tormenta que me fez cair em mim e concluir que o amor a si vale mais, importa mais, completa mais.
Com ele não levantei em um susto, estou levantando aos poucos, mas, sem ajuda. 
Estou levantando com as forças que resgato do passado onde elas foram esquecidas.
Digamos que no agora esteja de joelhos, brigando com o eu que luta para não ser meu.
Digamos que no agora esteja vencendo esta batalha.
Esteja lutando por mim e não por outro.
Esteja vencendo em mim a vontade de pertencer ao outro.

Por Dhalila Nogueira.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Regimento.


A tormenta e a calmaria,
São como o vai e vem das águas.
Fazem-se repletas e vácuas sem explicações.
É como jogar batalha naval.
Numa luta de águas perigosas e surpreendentes.
É o mesmo de sempre estar à espera de um milagre.
Estar na busca insaciável por emoção.
E no fim, concluir que é em meio aos motins,
que a vida rege sua sinfonia mais perfeita.
E condescendente.


Por Dhalila Nogueira.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tempo conciso.



Traga-me a paz, a leveza.
O olhar.
Eu exijo tudo de volta.         
Careço do amor, de amor.
Do ensejo do desejo que aflora.
Preciso ter o verbo gritando o infinitivo.
Ter tua boca envolvendo a pele.
Certificando-me de que nada foi jogado fora.
E se o tempo passado for finito, pouco importa.
Quero mesmo que breve, te ter no agora.


Por Dhalila Nogueira.

domingo, 3 de abril de 2011

Nevoeiro.


eStOU como um ciclo estilhaçado que parte do princípio, percorre caminhos entristecedores, raros, incríveis, inesquecíveis, apaixonados 
e esquece-se de como recomeçar.  
Estou cansada, meio que exausta.
Mas, continuo a buscar.
E...
Procuro-me.
Reviro-me.
Mas, não há nada de mim.
Não existo mais.
Não me pertenço mais.
Perdi-me tentando encontrar a outra parte de mim.

Por Dhalila Nogueira.